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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

District 9 e as impressões d' oMonarca


Valeu a pena a espera.


Estupidamente bem dirigido. Estupidamente bem interpretado.

Um filme que não é para todos os gostos, e que no entanto todos podem retirar dele alguma lição. A história é bastante simples, não sendo nenhum Synecdoque New York, mas não deixa de ter camadas de profundidade. Não há bons, nem maus, mas é um conto de moralidade. E toneladas de acção. Da boa. As sequências de violência são explícitas, mas nunca se colocam à frente do importante: a demanda de Wikus van der Merwe.

O filme encostou-me ao assento e só me largou quando rodaram os créditos finais. Ajudou imenso ver em digital, visto que o super-realismo do HD ajuda às cenas, como o grão e o preto e branco ajudam aos filmes noir.

Para mim, filme do ano. Ou de 5 anos. Clássico, ficção científica no seu melhor.

domingo, 27 de setembro de 2009

Steam Movies/Music?

Enquanto depilava a minha bela e mui branca careca a ouvindo um podcast da Spill (A Couple of Cold Ones, aka, aCOCO), o Korey relatou a sua primeira experiência com o Netflix e como adorou aquilo. Isto fez-me lembrar a nossa relação com o Steam (e Impulse e D2D e vários outros) em termos de jogos e como tenho comprado vários jogos recentemente, mas em termos de filmes e música ainda me mantenho muito reticente.
Já fui apanhado pela distribuição digital, mas não conheço muito bem os "players" no mercado dos filmes, se é que os há que vendam também no nosso país. No mercado da música, acho que a Amazon e o iTunes são os "big bosses", embora eu não confie e odeie iTunes e não me parece que alguma vez compre lá. Além disto, as próprias bandas podem ter o seu sistema como NIN e Radiohead.
Um dos meus requisitos na compra de filmes e música seria obviamente eu ter acesso aos vários tipos de qualidade, por exemplo, eu compro um filme e tanto posso sacá-lo hoje com qualidade 480p, como amanhã em 720p, sendo que na música pode-se trocar isto por mp3 a uma qualidade x ou em flac. Acho que isto ainda não existe e só assim é devido aos donos dos respectivos filmes/músicas (Warners, Sonies, etc) e os seus representantes (RIAAs, MPAAs, ...). Isto não acontece em jogos, não há diferentes tipos de qualidade, é sempre o mesmo software.

Um "Steam" Movies ou um "Steam" Music seria muito bom (se tivesse um câmbio de dólar para euro dava jeito também).

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Dear Zachary

Imagem retirada de www.imdb.com

Hey oMonarca brothafucka, obrigado por me indicares este filme divertido. NOT!

Quanto à tua preocupação, não, não fui "spoilado". Fui apanhado completamente desprevenido pelo evento. Se isto fosse ficção, eu diria "hey, twist fixe, mas já vi melhor"... agora, ver isto acontecer a sério... "that fucking bitch!"

Um documentário qualquer não teria este efeito (isto é mesmo um documentário?). Nota-se que o criador é alguém muito (demasiado) envolvido, mas também se nota que ele sabe o que faz tecnicamente. Estruturou bem o documentário (embora ao princípio tudo pareça confuso com muita coisa a ser atirada aos nossos olhos e ouvidos, mas parece-me propositado), a progressão deste, as várias entrevistas entrelaçadas com vídeos antigos. Não é bonito, é cru, real.

No entanto, vamos a ver, nós já sabemos que há destas merdas nos sistemas governamentais (nem o Canadá está isento, mesmo com os seus seguros de saúde perfeitos), já sabemos que os monstros sempre existiram e sempre vão existir.

Só tenho uma coisa contra neste filme. Adicionar o Diabo à conversa... Isto é mesma merda que culpar os jogos quando alguém faz merda. Sempre que acontece algo que para nós é impensável, temos logo que atribuir a razão a algo exterior, encontrar um bode expiatório.

Enfim, muito bom filme... mas se tu me recomendas outra merda destas... deixo o resto à tua imaginação.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Inglorious Basterds


Detesto títulos enganadores. Gosto deles directos. Que não tenham rodeios. Mesmo que o filme seja complexo, ou até mesmo o título seja estupidamente longo (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), gosto que o título seja representativo daquilo que vi.


Sacanas Sem Lei. Inglorious Basterds. Tanto traduzido, como original, o título não representa o fundamental da história. Podemos racionalizar e oferecer teorias dizendo que o título não é exclusivo ao grupo do Tenente Aldo Raine, mas que se aplica, dum modo ou de outro, aos vários personagens da história. Afinal de contas, são praticamente todos uns grandes sacanas sem glória.

E por esta ordem de raciocínio o filme podia chamar-se People e estava resolvido.

Explicando-me melhor, esta é uma história sobre judeus que se vingam. O filme podia chamar-se "A Grande Vingança Judaica", mas na volta os palestinianos se calhar também vão ao cinema e uma coisa desse calibre era capaz de os manter afastados da bilheteira. Aliás, a mensagem do filme é especificamente essa, deixando de lado o facto que outros (polacos, ciganos, russos, deficientes) também sofreram com o holocausto. Neste filme, os nazis são simplesmente maus, não há gajos de uniforme merecedores de redenção. Os judeus são simplesmente bons, sem um que se vira contra o seu povo a favor de salvar a sua pele. Escalas de cinzento no que diz respeito a morais? É melhor ver noutro lado.

Deixemos então de questionar a validade do título, ou a abrangência da mensagem, e foquemos o filme em si. É bom e entretém. Os diálogos são bem escritos, mas o seu conteúdo não é particularmente relevante ou inspirador de reflexão. Fala-se imenso sobre cinema, ou a história do mesmo, atirando-se nomes e datas para deleite dos geeks da sétima arte. Tarantino arrisca até, suponho, concretizar uma fantasia de adolescente metendo um agente secreto cuja especialidade é a crítica de cinema.

Toda esta conversa está ali um pouco para encher chouriços, já que não constrói personagens, nem implica os seus demónios interiores na história. São, na sua maioria, personagens simples, exceptuando o Coronel Landa e a Soshanna. Estes dois são, para mim, o que realmente fica do filme, e a cena inicial que os une em destino, sem trocarem uma palavra é o momento alto da experiência, cortesia duma excelente interpretação de Christoph Waltz.

O som é fenomenal, mas a banda sonora reflecte o espírito "Segunda Guerra Mundial Lite". A fotografia é muito atmosférica e faz o que lhe compete, servindo o filme e não o contrário.


Conclusões finais:

  • título muito inadequado;
  • sólido em entretenimento, mas parco em conteúdo;
  • ecoando o resto, Christoph Waltz e o seu Coronel Landa fazem a festa toda;
  • de todos os filmes do Tarantino, achei este o pior;
  • muito bom para passar o tempo, mas de longe imprescindível.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

District 9


District 9, District 9...

Ainda me lembro do primeiro contacto que tive com isto há alguns meses, um trailer. Os primeiros segundos (provavelmente minutos, não me lembro exactamente) pareceram segundos banais de um documentário qualquer sobre a África de Sul com entrevistas a pessoas sobre algo que não está bem por aquela zona, o que não é novidade, até que vemos a razão propriamente dita numa entrevista, não, corrijo, um interrogatório... um alienígena com aquele efeito que vemos por vezes nas reportagens para esconder as caras das pessoas, mas sem dúvida um alienígena. Aliens... isto já não é suposto surpreender-nos, mas a partir deste momento fiquei preso no trailer.

A sinopse é interessante. Uma raça alienígena (acho que convém dizer que esta raça não é individualista como nós, mas mais análoga a uma colmeia, zergs para os nerds) chega numa nave a cair aos bocados à Terra, à África do Sul, pede-nos refúgio, a nós os terráqueos, até conseguirem reparar a sua nave, refúgio esse que lhes damos de boa vontade (embora as condições de vida dadas aos extra-terrestres sejam muito más). No entanto, passam-se anos e ainda cá estão, aparentemente a incomodar os seus vizinhos humanos e a gerar-se cada vez mais atrito entre as duas raças. É nesta altura que se passa o filme.

Este filme é baseado numa curta-metragem do mesmo autor, Alive in Joburg (vídeo abaixo).
Alive in Joburg (YouTube)


Já a vi esta curta e aconselho. Incrível como conseguiram aqueles efeitos visuais para o dinheiro que tinham e o mesmo se pode dizer do filme que aparentemente só foi feito com 30 milhões de dólares e não parece ficar atrás de filmes como Terminator 4.
Se Peter Jackson apoia este projecto, mau não deve ser (penso que desistiu do Halo por este).

Por essa internet fora está a surgir um consenso geral de que este filme é excelente e até melhor do que fazer sexo.

Eu, desde que vi o segundo trailer, já decidi ver este no cinema. E tu?