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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Terríveis Práticas

Bem, os blogs por vezes servem para ecoar "barulhos" ouvidos por essas Internets fora. Chegou-me aos ouvidos este, via Slashdot:

There was only one way to review Modern Warfare 2: on the Xbox 360, in Santa Barbara, under the watchful eye of Activision. Accepting the paid trip, along with room and board, was the only way you were going to get a review before launch. Joystiq noted that this broke their ethics policy, but they went anyway. Who can say no to a review destined to bring in traffic? Shacknews refused to call their coverage a 'review' because of the ethical issues inherent in the situation, but that stance was unique. The vast majority of news outlets didn't disclose how the review was conducted, or added a disclaimer after the nature of the review was made public. This proved to Activision that if you're big enough, you can dictate the exact terms of any review, and no ethics policy will make news outlets turn you down.


Não fazia ideia desta capacidade de adulterar resultados da Activision. Como o artigo original diz, não só os PC's tornaram-se irrelevantes aos olhos da Activision (na minha opinião, não é a única) no mundo dos FPS's, como podem fazer da imprensa gato-sapato.

Eu percebo que um bom site de cobertura de jogos tem de pagar aos seus escritores pelo conteúdo: é a única forma de garantir qualidade de modo mais ou menos consistente; e claro os fundos para esses salários normalmente chegam pela publicidade que rende mais quanto mais tráfego tiver o site (*1).

Sacrificar a estética (*2) do site com banners e flash's dum produto que está para chegar, percebo. Fica um pouco NSFW (*3), mas sacrificar integridade jornalística? Deixa de ser um site de cobertura, transforma-se num site de fãs, e nós sabemos bem a trollagem que circula por sites desse calibre.

  • (*1) Note-se que esta é uma publicação amadora, de qualidade dúbia, exactamente por não pagar um chavo aos autores de conteúdo.
  • (*2) Coisa que não fazemos. Não só queremos passar uma boa mensagem escrita, como uma experiência visual simples, requintada e sem paralelo(*4).
  • (*3) Coisa que não acontece aqui. Apenas o nosso banner principal acima pode suscitar interesses alheios, e é facilmente ocultável recorrendo à habitual barra de deslize no lado direito da janela, descendo-a um pouco.
  • (*4) Gostamos muito de ironia :)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

MW2: Need MOAR Perspective



Call of Duty: Modern Warfare 2 não suportará servidores dedicados na sua versão PC. Funcionará num sistema de P2P, semelhante ao das consolas.

All your servers are belong to us!

Onde é que eles têm a cabeça?

O P2P funciona bem nas consolas porque o hardware é igual em todos os jogadores. A única variável em termos de performance é a largura de banda. E como não se pode sacar Jenna Jameson enquanto se dá uns tiros numa PS3 ou numa 360 (a não ser com recurso a uma máquina distinta para entupir o router), o desempenho é estável, e fiável para P2P.

Num PC é exactamente o oposto.
  • Começar pelo Hardware - vai sempre haver o "casual" que decide ir online com os requisitos mínimos. "Hey! Os filmes rodam a 26-27 fps, logo o COD com esses valores também resulta, amirite?"
  • Depois há o gajo que apesar de superar os requisitos mínimos, e.g., o "casual" cujo portátil é mesmo bom, decidiu ir com uma configuração estranha de HW, com drivers manhosos e mais não sei o quê. Não percebe os breaks, mas como conseguiu acabar o single-player, o online também deve funcionar, certo?
  • Depois o "casual" que tem o SO atestado de malware, ou o systray a abarrotar de apps que rodam em background e causam quebras na perfomance... "Ai dá jeito desfragmentar?"

Enfim, o público alvo a quem esta medida se destina - o "casual" que acha um server browser algo complicado de navegar é o mesmo que geralmente vai laggar uma sessão em P2P. E o resto do povo, com os seus i7's e as suas gráficas de última geração, apanha por tabela.

Tirando a vantagem de ser host, todos os outros andam à velocidade do mais lento, de modo a manter sincronismo.

O sistema de matchmaking pretende simplificar um processo que apenas quem acha complicado são os gajos que não conseguem manter as suas máquinas saudáveis. Por outro lado, aqueles que se desenrascam fixe nos seus PC's, que sabem o suficiente para aplicar mods, levam com um produto inferior.

São plataformas distintas. Um jogador de consola quer uma consola porque é simples. Porque deixa de ter de se preocupar com uma tonelada de coisas. Um jogador de PC é o inverso. Ele gosta de complexidade e de flexibilidade, gosta das coisas com que se tem de preocupar.

A IW está a avançar com uma solução para um problema que não existe.

Quanto ao pretexto de combater a pirataria, quem o disse que deixe de ser inocentes, ou tanso.
Sugestões?
  • Validações on-line. Basta um sub-serviço que ligue a um servidor de autenticação da Activision. Jogos em LAN continuam a ser possíveis, desde que cada cópia se consiga ligar para fora, à Internet, para se validar.
  • Stats on-line. É incrível, mas o e-peen ajuda a mitigar a pirataria. Se existirem servers oficiais onde se faça stat tracking, o pessoal que queira jogar a sério tem que ter uma cópia como deve ser.
Haverá sempre alguma pirataria, mas esse não é argumento.

E quanto a ajudar o pessoal que quer evitar mods... hmmm sei lá.... colocar um filtro do género "Pure Servers" no server browser? Se calhar estou a pensar demasiado à frente... :S

Ou o pessoal que apenas quer fazer "Find a match" e ir jogar contra pessoal ao mesmo nível, que tal usar o stat-tracking (que também pode combater a pirataria)? Ter em cada server uma estatística do nível médio dos jogadores online e depois comparar esses valores com as estatísticas do jogador e sugerir um server em função disso.

Não é um problema de tecnologia. Não é um problema de comunidades fragmentadas. É um problema de intenções.

Grande, grande falha da IW em caracterizar o seu público alvo.